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Volkswagen: Thomas Schäfer alerta que “está tudo em jogo” na mobilidade elétrica

Carro elétrico branco Volkswagen estacionado ao lado de um ponto de recarga em ambiente urbano moderno.

“Está tudo em jogo”, alertou Thomas Schäfer, diretor executivo da Volkswagen, ao falar sobre o futuro da montadora na transição para a mobilidade elétrica durante uma reunião online realizada na semana passada, com mais de 2000 executivos.

Schäfer chegou a dizer aos executivos que “o telhado está pegando fogo”, destacando o quanto os próximos meses e anos tendem a ser desafiadores.

O CEO quis deixar explícito que existem problemas graves e amplos a serem resolvidos para que a Volkswagen consiga se colocar na liderança entre as fabricantes de veículos elétricos. Ao mesmo tempo, a empresa ainda precisa seguir atendendo o mercado global com modelos equipados com motor a combustão.

Custos exorbitantes

Na raiz desse senso de urgência estão os custos altíssimos ligados à mudança tecnológica.

Para dimensionar os valores em jogo, em março passado o Grupo Volkswagen anunciou um investimento de 180 bilhões de euros para os próximos cinco anos. Desse total, 70% (126 bilhões de euros) serão destinados ao desenvolvimento de veículos elétricos.

Além disso, a montadora alemã também precisa manter investimentos no desenvolvimento e na produção de veículos com motor a combustão, de modo a assegurar os lucros necessários. E as exigências em emissões e segurança seguem aumentando.

Para aliviar esse esforço, Thomas Schäfer quer economizar até 10 bilhões de euros nos próximos três anos, como já havia informado durante a apresentação do plano “Accelerate Forward | Road to 6.5”, em junho.

Além da forte redução de gastos - e como o nome do plano sugere -, a meta é chegar a uma margem operacional de 6,5% até 2026. Isso representa mais que o dobro do resultado obtido no primeiro trimestre deste ano (3,0%).

Por esse motivo, o diretor executivo da Volkswagen determinou, nessa reunião e com efeito imediato, a suspensão de todos os gastos: “Estamos deixando os custos subirem demais em muitas áreas”, afirmou.

Segundo fontes internas ouvidas pela publicação inglesa Autocar, foi cobrado dos executivos que entregassem “pequenas vitórias” nas próximas semanas no controle das despesas.

Problemas na China

O caminho para bater essas metas vem se mostrando complexo. Na China, seu maior mercado global, a Volkswagen teve de reduzir o preço de alguns dos seus modelos mais rentáveis - a combustão ou elétricos - devido à “guerra de preços” que o mercado chinês vem enfrentando.

Como era de se esperar, essa queda de preços, necessária para preservar as vendas e a competitividade, acabou pressionando negativamente a rentabilidade da montadora.

“Último aviso”

A pressa de Thomas Schäfer para tornar a empresa mais ágil - simplificando hierarquias e processos -, além de conter custos, tem sido uma das suas principais bandeiras desde que assumiu o comando da marca Volkswagen em 2022.

A mensagem transmitida por ele na reunião foi reforçada mais tarde por Patrik Andreas Mayer, diretor financeiro da Volkswagen: “nosso negócio de veículos não está bem”. Ele ainda classificou a fala de Schäfer como o “último aviso”.

Fonte: Autocar

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