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Motores Wankel além da Mazda: NSU, Citroën, GM, AMC e Mercedes-Benz

Carro esportivo clássico prateado estacionado em espaço interno moderno com paredes de vidro.

É comum ligar os motores Wankel imediatamente à Mazda. Durante décadas, a marca foi praticamente a única a insistir nessa solução sem pistões.

Ainda assim, a Mazda nem foi a primeira a apostar nesse tipo de motorização.

Felix Wankel registrou a patente do motor de rotores em 1929, mas o primeiro protótipo só apareceria na década de 50. E a primeira aplicação realmente prática do motor Wankel aconteceria com a alemã NSU.

A curiosidade em torno do Wankel foi grande, e isso levou vários outros fabricantes a adotá-lo - seja para experimentos em protótipos, seja para colocá-lo em carros de produção. Vamos conhecer esses casos?

NSU

Como já mencionamos, a NSU - fabricante alemã de carros e motos - foi a primeira a vender um automóvel equipado com motor rotativo.

Com Felix Wankel integrando a equipe, o motor rotativo chegaria à sua forma “definitiva”, e o primeiro protótipo surgiria em 1957.

Depois, a marca alemã passaria a disponibilizar licenças para outros construtores - Alfa Romeo, American Motors, Citroën, Ford, General Motors, Mazda, Mercedes-Benz, Nissan, Porsche, Rolls-Royce, Suzuki e Toyota.

Mas o primeiro carro com motor de rotores sairia mesmo da própria marca: o NSU Spider. Derivado do NSU Sport Prinz Coupé, esse pequeno roadster, lançado em 1964, levava na traseira um Wankel de apenas um rotor, com 498 cm³.

O segundo modelo foi bem mais ambicioso: o NSU Ro80, apresentado em 1967. Era um sedã familiar com desenho inovador e tecnologia avançada para a época. Tanto que conquistou o prêmio de Carro do Ano na Europa em 1968.

O Ro80 também acabaria se tornando o motivo do fim da NSU. Por quê? O alto custo de desenvolvimento e a baixa confiabilidade dos motores Wankel selaram o destino da marca.

Era comum precisar refazer o motor com menos de 50 mil quilômetros: o material usado nos anéis de vedação dos vértices do rotor gerava falhas de estanqueidade entre o rotor e as paredes das câmaras internas. Além disso, o consumo de combustível e de óleo era exagerado.

Em 1969, a Volkswagen absorveria a NSU, unindo-a à Audi. A marca continuou existindo até o encerramento da vida comercial do Ro80, mas ambos saíram de cena em 1977.

Citroën

A Citroën firmou uma parceria com a NSU, que deu origem à Comotor - empresa criada para desenvolver e comercializar motores Wankel.

O motor rotativo combinava perfeitamente com a imagem avant-garde da marca francesa. Para medir a viabilidade da ideia, a Citroën partiu do Ami 8 para criar uma carroceria cupê, adicionou suspensão hidropneumática e batizou o novo modelo de M35. A produção foi limitada, entre 1969 e 1971, e os carros foram entregues a clientes selecionados.

Quem recebia o carro precisava rodar 60 mil quilômetros por ano e tinha garantia total do motor por dois anos. Ao fim do período de uso, muitos M35 foram recomprados pela marca para serem destruídos. Restaram poucos, e esses sobreviveram graças a clientes que assinaram um contrato assumindo a manutenção do modelo.

O M35 funcionaria como um laboratório sobre rodas para o GS Birotor. Lançado em 1973, como o nome sugere, ele vinha com um Wankel birotor - exatamente o mesmo conjunto do NSU Ro80.

Assim como o Ro80, esse modelo ficou marcado pela confiabilidade insuficiente e pelo consumo elevado - entre 12 l e 20 l/100 km. Um atributo nada atraente, especialmente porque ele chegou ao mercado em plena crise do petróleo.

Vendeu muito pouco e, repetindo o que ocorreu com o M35, a marca francesa recomprou a maior parte dos GS Birotor para destruí-los, evitando ter de lidar no futuro com o fornecimento de peças.

GM (General Motors)

No caso da GM, a história ficou restrita a protótipos. Os testes para verificar a viabilidade do motor RC2-206 foram feitos no pequeno Chevrolet Vega, mas foram os protótipos que avaliavam um Corvette de motor central-traseiro que entraram para a história.

Dois desses protótipos usavam motores Wankel. O XP-897 GT, mostrado em 1972, era compacto, com base (modificada) derivada de um Porsche 914 e com participação da Pininfarina no desenvolvimento.

O outro, revelado em 1973, foi o XP-895, derivado do XP-882, um protótipo de 1969. Seu motor era resultado da união de dois motores do XP-897 GT.

A década de 70 foi marcada pela crise do petróleo, e os altos consumos somados à confiabilidade questionável enterraram de vez o Wankel dentro da GM.

AMC (American Motors Corporation)

A AMC é lembrada principalmente pelo estranho Pacer, uma alternativa compacta ao gigantismo típico dos carros americanos. Desenvolvido no início da década de 70, ele estava previsto para receber um motor Wankel, fruto da parceria entre a NSU e a Curtiss-Wright.

Isso nunca se concretizou. Assim como a GM, a AMC abandonou os Wankel no meio da década e precisou redesenhar profundamente o Pacer para acomodar na dianteira um seis cilindros em linha da GM.

Mercedes-Benz

Talvez o carro mais conhecido a usar motor de rotores sem o emblema da Mazda seja o Mercedes-Benz C111.

A sigla C111 batizava uma série de protótipos usados como laboratório para testar tecnologias variadas, incluindo diferentes tipos de motores. Além de Wankel, também passaram por ali motores convencionais com turbocompressor e motores a diesel.

No total, existiriam quatro versões do C111. A primeira foi apresentada em 1969 e a segunda em 1970 - ambas com motores de rotores.

O segundo protótipo chegou a substituir o Wankel por um motor a diesel. O terceiro manteve o diesel, e o quarto trocou-o por um V8 a gasolina Twin-Turbo. Essa última configuração, com o V8, quebrou diversos recordes de velocidade, com destaque para os 403,78 km/h do C111/IV, registrados em 1979.


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