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Instabilidade geopolítica impacta as reservas para o verão de 2026 em Portugal, diz a AHP

Homem usando tablet no balcão de recepção com vista para a praia ao fundo em um ambiente iluminado.

A escalada de conflitos e a instabilidade geopolítica, com guerras em diferentes frentes, já começa a mexer com as reservas turísticas para o verão em Portugal - movimento parecido com o observado em outros destinos do sul da Europa.

Perspectivas da AHP para ocupação e receitas no verão de 2026

Para Cristina Siza Vieira, vice-presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), os sinais para a alta temporada do próximo ano são de retração em relação a 2025. “Quer em proveitos totais, quer em taxas de ocupação, as perspetivas para o verão de 2026 são de quebra face ao verão de 2025”, afirmou.

A pesquisa mais recente da AHP com seus associados, focada nas expectativas para o verão de 2026, mostra uma leitura majoritariamente negativa: 50% dos entrevistados projetam uma taxa de ocupação “pior ou muito pior” entre junho e setembro quando comparada ao mesmo período do ano anterior. No outro extremo, 22% indicaram esperar níveis de ocupação “melhores ou muito melhores”.

Estadia média pode cair com destinos mais caros

O pessimismo relatado pelos hoteleiros também aparece na duração das viagens. A avaliação parte do entendimento de que, se os destinos ficam mais caros, os turistas tendem a reduzir o tempo de permanência.

Nesse indicador, os resultados do levantamento da AHP apontam que 13% dos hotéis esperam estadias médias “melhores ou muito melhores” neste verão, enquanto 41% consideram que elas devem ser “piores ou muito piores” do que no mesmo intervalo de 2025.

Pela primeira vez, mercado interno não aparece entre os três principais

Ao destacar que o ambiente está “volátil”, Cristina Siza Vieira reforça que a incerteza aumentou com a preferência crescente por reservas feitas mais perto da data da viagem, o que reduz a previsibilidade do setor. “ainda há muitas incógnitas para o verão”, observou.

Na apresentação dos resultados do levantamento para o verão de 2026, ela resumiu a dificuldade de antecipar cenários: “Está tudo muito errático para a nossa ‘bola de cristal’, e sempre com grandes pontos de interrogação”.

Entre os pontos do estudo que acenderam o alerta no setor está um dado inédito: pela primeira vez, o mercado interno não aparece entre os três principais mercados esperados para o verão, de acordo com as reservas registradas pelos hoteleiros.

Cristina Siza Vieira atribui esse sinal a uma piora na confiança do turista nacional. “Há um maior pessimismo na confiança no turismo nacional”, disse. “Estranhámos que o mercado interno não fosse apontado como um dos principais, como é costume, mas pode significar que as pessoas estão a guardar as reservas para o último momento, e acabar por ser um dos mercados mais importantes no verão”.

Mesmo com o enfraquecimento atual do ritmo de reservas, ela relativiza o impacto imediato. “As reservas hoje estão em claro abrandamento, mas a nossa preocupação é relativa”, ressaltou, citando Lisboa como exemplo: na capital, “as reservas de ‘last minute’ estão a ganhar espaço, com sacrifício do preço”.

Ao ampliar o contexto, a vice-presidente da AHP lembrou que o efeito não é exclusivo de Portugal. “Mas esta situação não nos afeta só a nós, em Portugal”, concluiu, apontando que destinos do sul da Europa também sentem a instabilidade geopolítica, especialmente a Espanha, “que de um mês para o outro passou a ter uma perspetiva de travagem de reservas para o verão, a par da contração dos preços, que já começaram a baixar”.

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