O ritual de dar partida no carro
Entrar no carro, encaixar a chave no cilindro da ignição, checar se o câmbio estava em ponto morto e pisar no pedal da embreagem. Só então vinha o momento de girar a chave para dar partida no motor - nem sempre com a certeza do que viria depois, mas torcendo para ele pegar de primeira, sem vacilar.
Quando isso acontecia, aparecia uma espécie de satisfação por dentro, como se aquilo confirmasse que estava tudo certo. Mas também houve ocasiões em que não foi assim, e a única coisa que “acordou” foram palavras que não dá para escrever aqui.
Ligar, ou “acordar” o motor de um carro era um daqueles pequenos instantes especiais. Algo que, por ser tão simples, acabava virando motivo de paixão. Hoje, isso praticamente desapareceu.
Do giro da chave ao botão
Agora, quase no automático, a gente entra no carro, pisa no freio ou na embreagem (quando ela ainda existe) e aperta um botão. Pronto: é isso.
Nos automóveis 100% elétricos, então, nem existe o som do motor de partida nem o do motor a combustão - porque eles não estão lá. Depois de apertar o botão para ligar o motor (elétrico), aparece apenas um aviso na tela dizendo que o “sistema” está pronto para sair.
A eletrônica à nossa disposição
Aliás, muitos carros atuais já destravam sozinhos quando nos aproximamos, o que pode ser bem prático; e alguns chegam até a começar a abrir a porta para nós. Depois que sentamos ao volante, resta apertar um botão e deixar que a eletrônica resolva o resto. Na maioria dos modelos novos, a chave nem precisa sair do bolso ou da mochila.
A tecnologia e o mundo automotivo têm avançado numa velocidade inacreditável - e isso não significa que hoje não existam carros interessantes no mercado.
A expectativa que ficou para trás
Mesmo assim, sinto falta desse pequeno ritual e da expectativa. Desde “abrir o ar” nos carros mais antigos, até o som do motor ao “acordar” e a rotação mudando conforme a temperatura vai subindo.
Hoje tudo pode até ser mais eficiente, mas parece ter menos charme e fica mais impessoal.
Com isso tudo, provavelmente, começo a perceber que estou chegando ao ponto de precisar comprar um clássico - nem que seja para reviver alguns desses momentos do passado.
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