O Rafale é o novo SUV cupê da Renault e chega como um dos modelos mais altos da gama da marca francesa, um posto que divide com o Espace.
Ele também é o primeiro carro a apresentar por completo a nova linguagem de design da Renault, com uma “cara” inédita, novos grafismos e superfícies redesenhadas - agora com curvas mais generosas apoiadas em linhas bem marcadas, cujas pontas se diluem nas próprias superfícies.
Mesmo assim, a sensação de novidade no estilo acabou ficando, em parte, menos impactante. O motivo principal? A semelhança grande demais - como muitos de vocês apontaram - com os Peugeot mais recentes, em especial o 408, que ainda por cima tem uma silhueta parecida.
Propostas diferentes, mas o mesmo designer
Os comentários de vocês podem ter mais fundamento do que parecia à primeira vista. No fim das contas, os dois modelos tiveram o mesmo designer liderando o projeto: Gilles Vidal.
Designer francês, Gilles Vidal passou a maior parte da carreira na Peugeot e assumiu a chefia do departamento de design em 2010. Ele ficou no cargo até 2020 quando, em uma mudança “chocante” - sim, isso também existe no mundo do design; não é exclusividade do futebol -, passou a comandar o design da rival Renault. Atribuam isso ao Luca de Meo.
É bem provável que o CEO do Grupo Renault tenha gostado do trabalho que Vidal vinha realizando na marca do leão, mudando a percepção e até o posicionamento da Peugeot no mercado.
E, quando Luca de Meo apresentou o plano Renaulution, em 2021, foi direto sobre a meta: fortalecer a presença nos segmentos C e D, onde a rentabilidade é maior, mas onde a imagem também pesa mais.
Será que Gilles Vidal também vai conseguir transformar a Renault por meio do estilo e do design?
Não são rivais
As imagens que acompanham este artigo deixam claro que existem, sim, semelhanças de estilo entre as duas propostas - principalmente na dianteira, isto é, na “cara” do carro.
Ainda assim, vale destacar: apesar das coincidências visuais, Renault Rafale e Peugeot 408 não disputam o mesmo espaço. O Rafale se posiciona um degrau acima do segmento em que o 408 atua.
Nesse ponto, a Renault foi categórica: o Rafale está de “pedra e cal” no segmento D. Já o 408 nasce a partir do 308 e compartilha quase tudo com ele (incluindo o interior). Por isso, fica no segmento C.
A montadora de Billancourt reforça essa distância também nas motorizações: o Rafale parte de um híbrido de 200 cv, enquanto o 408 começa com um 1.2 Turbo de 130 cv. E há ainda a presença de recursos como o 4Control (eixo traseiro direcional), item de série no Rafale.
E agora?
Há uma frase que soa como desabafo de décadas: “os carros estão cada vez mais parecidos”. Talvez isso seja mais verdadeiro em alguns casos do que em outros.
No caso de Renault Rafale e Peugeot 408, é difícil negar que existe uma proximidade de linguagem visual entre as duas propostas. A questão é: isso vai se confirmar quando der para ver os dois ao vivo, lado a lado?
Seja qual for a resposta, tudo indica que Gilles Vidal vem desenhando um rumo para o futuro do design da Renault apoiado nos mesmos conceitos que ficaram estabelecidos na Peugeot.
A Renault tem uma herança riquíssima em design e estilo, então não falta material para Vidal usar como base e projetar a marca do losango para o que vem adiante.
Vamos esperar pelos próximos capítulos. Um dos próximos a chegar “olha” para esse passado de forma mais direta - e também carrega o “cunho” de Gilles Vidal:
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