Pular para o conteúdo

Teste do Citroën DS3 Racing: protótipo antes do lançamento

Carro esportivo cinza com detalhes laranja em alta velocidade em estrada de montanha.

Esta avaliação foi publicada pela primeira vez na Edição 207 da revista Top Gear (2010).

O peso de Sébastien Loeb e a oportunidade perdida da Citroën

Sébastien Loeb conquistou os últimos seis Campeonatos Mundiais de Rali e estava no rumo certo para o sétimo. Com um currículo desses, seria natural imaginar que o carro dele teria uma reputação esportiva inabalável, como já aconteceu com Lancias apimentados, Subarus, Mitsubishis e Audis no passado. Só que, na prática, quem é que sonha com um Xsara 2,0 litros ou um C4? Pois é: quase ninguém. A Citroën simplesmente não conseguiu transformar os feitos épicos da sua divisão Citroën Racing em desejo real de mercado. O Seb quase poderia estar guiando um Moulinex.

Por que o DS3 mexe com a cabeça (e com as mãos)

A virada vem no ano seguinte: o carro de rali passará a ser um DS3. E o DS3 não mexe apenas com os olhos; ele também dá aquela fisgada nos neurônios de quem gosta de dirigir. Por isso, a ideia de uma versão “turbinada” polvilhada com o pó mágico da Citroën Racing é motivo suficiente para empolgar.

Nós já andamos num protótipo, pouco antes de ele chegar às lojas na virada do ano. Como ficamos limitados a três voltas em uma pista, encare estas impressões como provisórias.

Citroën DS3 Racing: visual, interior e detalhes de construção

O modelo definitivo deverá ficar incrivelmente parecido com o carro de salão: toques de laranja pela carroceria, rodas laranja e um splitter e extensões de carroceria em fibra de carbono de verdade. Por dentro, mais carbono real (apenas decorativo) e bancos enormes, daqueles que parecem querer “sequestrar” o seu corpo.

Mecânica e acerto: motor, suspensão, direção e freios

Ele usa o motor 1,6 turbo com injeção direta já conhecido em vários Citroëns, Peugeots e Minis, mas recalibrado para algo um pouco acima de 200bhp. A suspensão fica 15mm mais baixa do que a padrão, além de mais firme e com nova calibração de amortecimento; a direção com assistência elétrica recebe novo mapeamento; e as novas rodas aumentam a bitola. Na dianteira, os discos de freio crescem e passam a trabalhar com pinças de quatro pistões.

Ao volante: desempenho fácil, equilíbrio e civilidade

O desempenho vem em abundância - e sem exigir esforço -, com ganho perceptível em toda a faixa de rotações, principalmente lá em cima. No acelerador, existe uma discreta suavidade típica de turbo (não dá para chamar de atraso), mas o conjunto faz um ruído civilizado e entrega uma curva de torque bem “forrada”, perfeita para sair de curvas lentas com vontade ou fazer ultrapassagens.

Disseram que a eletrônica do chassi ainda estava em fase de calibração e, num roteiro exatamente oposto ao padrão de lançamentos, pediram para eu manter o ESP desligado. Tudo bem. Mesmo sem essa ajuda, há bastante tração e um chassi gostoso de brincar: basta aliviar um pouco o acelerador para fazer a traseira girar suavemente ao contornar a curva. E os novos freios não passam despercebidos.

Ainda assim, o conforto de rodagem não foi destruído. Pelo contrário: o carro todo parece bem mais civilizado do que o splitter de carbono, o painel laranja e o sobrenome Racing fariam você imaginar. Não é um castigador de coluna. Pense nele como um DS3 150 normal com a performance no 11.

Isso o torna um carro que eu teria prazer em usar no dia a dia, mas - ao menos com base limitada deste teste curto, de “molhar o pé” - ele não é aquele hatch esportivo transcendentalmente preciso, no limite, como um Clio Cup. E também vai custar um bocado mais. Sem a ajuda do Sébastien, pode ser que não seja tão fácil convencer.

Veredicto: rápido, usável e com visual de arrasar. Mas talvez a Citroën devesse afiar um pouco mais as presas antes da produção.

1,6-litre 4cyl
196bhp, FWD
203lb ft
1,170kg
£21,000

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário