O Evoque ainda é o Land Rover em que todo mundo quer ser visto?
É essa a dúvida, não é? O Evoque continua a ser a porta de entrada mais pequena e mais acessível para ter um Range Rover na garagem - mas ele nunca teria emplacado em quantidades tão absurdamente enormes se não fosse, antes de tudo, um carro de presença.
A primeira geração parecia uma nave, com linhas retas e “queixo” quadrado. Esta segunda fase, lançada em 2019, suavizou as arestas e ganhou maçanetas que saltam para fora. Ainda assim, segue a virar pescoços. Continua incrivelmente bonito para um crossover. E, ao lado dele, um Audi Q3 Sportback ou um Mercedes GLC Coupé acabam a parecer tão inspiradores quanto um centro comercial dos anos 1970.
Sim: ele ainda é o Land Rover para aparecer.
Ao mesmo tempo, com o novo Defender 90 de três portas em cena, fica a pergunta: será que ele vai tomar para si o posto de Land Rover “obrigatório” para circular pela cidade?
Talvez a “anti-ostentação” do Defender - com o seu visual utilitário-chique e postura vertical - acabe por passar à frente do senso de moda do Evoque, com aquele toque de sofisticação quase joalheira. Ou talvez não.
Por via das dúvidas, a Land Rover resolveu despejar uma boa leva de atualizações no Evoque.
Visual do Range Rover Evoque: mudou alguma coisa?
Ele não parece diferente…
No desenho, não mudou nada. A mudança está por baixo do capô: agora os motores são todos híbridos, desde que se escolha o câmbio automático… o que, na prática, é o que toda a gente faz. A assistência elétrica vem de série em tudo, com exceção do diesel mais básico de 163bhp, o D165.
Em resumo, os motores que realmente importam no Evoque agora são “meio híbridos”, numa tentativa valente de baixar a média de CO2 da Land Rover - e também de poupar algum dinheiro no combustível.
Híbrido completo ou sistema de 48 volts?
Estamos a falar de híbrido que anda só no elétrico, ou de híbrido 48V que só ajuda o motor?
É a segunda opção. Quer circular pela cidade apenas com eletricidade? Existe, sim, um Evoque híbrido plug-in (com o nome P300e), com tração integral, 305bhp e promessas de 143mpg e 44g/km de CO2. Não tem onde ligar na tomada? Tem um medo irracional de cabos de carregamento? Então siga.
Nós conduzimos o Evoque D200, que mantém um 2.0 turbodiesel tradicional com pouco mais de 200bhp. Gente de dentro da Land Rover admite que diesel hoje é uma venda difícil para quem vive assustado com manchetes e com políticas governamentais que mudam de direção, mas insiste que esta é a geração de motores diesel mais limpa de sempre - e que ainda faz muito sentido para deslocar um SUV 4x4 britânico e pesado.
De 0-60, ele faz em 7.9 segundos. Curiosamente, para o tempo europeu de 0-62mph, aqueles 2mph extra elevam a marca para 8.5sec.
A faixa de binário é estreita - estreita como 317lb ft de 1,750rpm a 2,500rpm. Ainda assim, o Evoque D200, com 1,890kg, é suficientemente esperto, e dá para notar um toque de “empurrão” elétrico a suavizar as partes menos lineares da entrega do motor.
Consumo e refinamento ao volante
Quão económico é este novo Evoque diesel híbrido?
Quase tão económico quanto deveria ser. A Land Rover fala em 40-43mpg no geral. Na autoestrada, fizemos 40mpg sem grande esforço; já 36-38mpg foi a média mais comum quando se roda pela cidade.
E é para isso que o Evoque existe: para circular com calma e estilo. Quando foi a última vez que viu um cisne com pressa? Pois.
Ele é refinado?
Mais do que os Evoque diesel antigos, sem dúvida, mas o câmbio ainda pode ser provocado por uma acelerada rápida para ultrapassar e deixar o motor a girar numa zona meio sem sentido. Em velocidade de cruzeiro, o maior incômodo vem do ruído do vento a bater nos espelhos enormes das portas, que parecem ter sido emprestados de um ferry que cruza o Canal da Mancha.
Tecnologia, multimédia e interior
Há mais alguma coisa que eu precise saber?
A Land Rover atualizou o ecrã central com a interface mais recente, a ‘Pivi’, trazida do Discovery e do Defender - e isso é uma melhoria grande. O ponto alto é que o espelhamento do telemóvel agora entra de forma mais natural e parece mais estável do que antes.
Assim, o Apple CarPlay tem menos hipóteses de “entrar em greve” no meio do seu podcast favorito, ou daquela chamada importante com o seu chefe.
Pontos negativos?
Como em todo Evoque até hoje, a visibilidade é limitada e não há muito espaço na cabine - nem à frente nem atrás - para um carro que, no fundo, é bem robusto. Mas isso não parece ter afastado ninguém, certo? Além disso, colocar passageiros no banco traseiro de um Evoque é mais fácil do que fazer o mesmo num Defender 90…
Nota e ficha técnica
7/10
Range Rover Evoque D200 SE R-Dynamic
£45,710
1997cc 4cyl turbodiesel, 200bhp, 317lb ft
8spd auto, AWD
0-62mph in 8.5sec, 120mph
43.8mpg, 169g/km CO2
1891kg
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