O mercado de carros elétricos vem passando por turbulências, e as montadoras têm reajustado suas estratégias, mexendo nos cronogramas de eletrificação.
A Mercedes-Benz faz parte desse movimento. Meses atrás, a marca já havia sinalizado que iria “tirar o pé” da meta de ser 100% elétrica, postergando objetivos de vendas e estendendo a vida de alguns modelos a combustão.
Motivos do cancelamento da plataforma MB.EA Large
Agora, surgiu a informação de que a fabricante alemã encerrou o desenvolvimento da plataforma dedicada MB.EA Large, planejada para 2028 e que serviria de base para os sucessores dos atuais EQE e EQS.
A notícia foi publicada inicialmente pelo jornal financeiro alemão Handelsblatt, que cita quatro fontes internas, e depois foi confirmada pela própria Mercedes-Benz à Automobilwoche.
De acordo com o que foi apurado, a decisão tem dois motivos principais: o desempenho de vendas do EQE e do EQS abaixo do esperado e, também, o custo para desenvolver a arquitetura e adequar as fábricas. Com isso, estima-se que a Mercedes-Benz economize entre quatro bilhões de euros e seis bilhões de euros.
E agora?
No plano original, a Mercedes-Benz pretendia criar duas variações dessa nova base: uma menor (MB.EA Medium), voltada para a faixa intermediária (incluindo o sucessor do EQC, em versões SUV e sedã), e outra maior (MB.EA Large), reservada aos modelos mais luxuosos e de maior porte.
Com o cancelamento da MB.EA Large, a próxima geração de EQE e EQS deverá se apoiar na evolução da plataforma atual, a EVA2 (Electric Vehicle Architecture). Entre as mudanças esperadas estão a migração de uma arquitetura elétrica de 400 V para 800 V, além de uma bateria inédita e novos motores elétricos, com melhor eficiência.
Outras plataformas elétricas da Mercedes-Benz
Além da MB.EA Large, a marca alemã já havia anunciado outras arquiteturas: a MMA (para elétricos compactos), a AMG.EA (voltada a elétricos de alto desempenho) e a MB.VAN (destinada a veículos comerciais elétricos).
A MMA estreia no ano que vem, com a versão de produção do CLA Concept. Já a AMG.EA foi indicada como a base da nova sedan elétrica de alta performance da AMG e também está prevista para sustentar um SUV da AMG.
Antes disso, a Mercedes-Benz lançou recentemente o inédito Classe G 100% elétrico, que nós já tivemos a oportunidade de dirigir. Confira nossas primeiras impressões:
Apesar de, como mencionamos no começo, a Mercedes-Benz ter recuado em parte das metas ligadas à eletrificação, isso não significa que ela deixe de avançar nessa direção - o que muda é o compasso dessa transição:
“O ritmo da transformação vai ser determinada pelas condições de mercado e pelos desejos dos nossos clientes.”
Mercedes-Benz em declarações à Automobilwoche
Fonte: Automotive News Europe
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