Aproveitando a visita de Estado do presidente chinês Xi Jinping, a França anunciou um novo pacote de ações que traz metas mais ousadas para a comercialização de automóveis elétricos.
Metas para automóveis elétricos na França até 2027
O entendimento entre o governo francês, a indústria automotiva e os sindicatos tem como objetivo quadruplicar as vendas de carros 100% elétricos, chegando a 800 000 registros por ano até 2027. Já no segmento de veículos comerciais, a intenção é multiplicar por seis os volumes atuais, alcançando 100 mil vendas anuais.
Para viabilizar esses números, o governo francês diz que continuará apoiando a compra e o financiamento de veículos elétricos por meio de incentivos - embora não tenha informado valores.
Eletrificação na Europa e concorrência da China
Esse novo contrato estratégico para o setor automotivo aparece em um momento sensível da eletrificação, sobretudo na Europa.
De um lado, nota-se uma desaceleração no ritmo de crescimento das vendas de elétricos no continente, ainda que a França pareça estar seguindo um caminho diferente. No primeiro trimestre de 2024, as vendas de elétricos avançaram 23% no mercado francês, enquanto no mercado europeu como um todo a alta foi de apenas 4,9% (em grande parte por conta das quedas na Alemanha, Espanha e Itália).
De outro lado, fica cada vez mais clara a presença crescente de novas marcas ou modelos fabricados na China (mesmo quando pertencem a marcas europeias), o que pode colocar em risco o futuro da indústria automotiva no «velho continente», como afirma o ministro das finanças francês, Bruno Le Maire:
“A indústria automóvel faz parte da nossa cultura industrial e está a enfrentar uma mudança única no século. A transição é difícil, com forte concorrência de outros países - em particular, da China -, pelo que precisamos de solidariedade no setor”
Ministro das finanças francês, Bruno Le Maire
Entre as medidas de «combate» com mais repercussão está a investigação da Comissão Europeia ligada ao apoio da China ao setor de automóveis elétricos.
Mesmo assim, a França se antecipou e adotou regras próprias contra importações chinesas, restringindo os apoios a automóveis elétricos com menor pegada de carbono. Nessa conta, entram não só a fabricação do veículo em si, mas também o transporte. Assim, o simples fato de precisarem ser enviados da China para a França já tende a colocá-los automaticamente fora dos incentivos do Estado.
Além dos carros, o acordo também afeta frentes como inovação, reciclagem, fortalecimento da cadeia de abastecimento do setor automotivo na França e até a expansão da rede de pontos de recarga.
Resposta com conhaque
Tudo indica que a tensão entre a União Europeia e a China em torno dos veículos elétricos esteve no centro da visita de Xi Jinping à França.
Ainda assim, o alcance dessa disputa aumentou depois que Pequim abriu uma investigação sobre o dumping de bebidas alcoólicas - um movimento que pode atingir, em especial, produtores franceses de conhaque.
Fonte: Automotive News
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