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Uma das notícias internacionais mais relevantes da semana foi, sem dúvida, o anúncio do governo sueco confirmando a doação de caças JAS 39 Gripen C/D para equipar a Força Aérea Ucraniana, além do avanço nas tratativas para concluir a venda do mais moderno Gripen E/F. O tema é importante não apenas para as forças ucranianas, mas também para a própria plataforma: quando as primeiras aeronaves forem entregues em 2027, elas representarão o primeiro grande “batismo de fogo” de combate para o caça desenvolvido no país nórdico pela Saab.
Com foco inicial na Ucrânia, o país europeu passará a integrar a lista de operadores do avião concebido na Suécia e originalmente projetado durante a Guerra Fria. Nas versões C/D, o principal usuário é a Força Aérea Sueca e, atualmente, com a introdução da variante E - a mais moderna e avançada -, o Brasil.
O anúncio sueco e o impacto para a Força Aérea Ucraniana
Após os comunicados divulgados durante a visita oficial do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky à Suécia, Estocolmo assumiu o compromisso de doar e transferir dezesseis (16) aeronaves Gripen C/D oriundas da Força Aérea Sueca. A reposição desses exemplares será feita com a aquisição de unidades adicionais da variante E, cuja primeira aeronave já foi recebida em 2025.
Na sequência, e ainda no campo das negociações - formalmente consolidadas com a assinatura de uma Carta de Intenções para até 150 aeronaves -, Ucrânia e Suécia buscarão finalizar a venda de 20 caças Gripen E/F novos de fábrica.
Esses reforços não são irrelevantes: o Gripen se tornará a quarta plataforma disponibilizada por aliados europeus e pelos Estados Unidos à Ucrânia, que já opera caças F-16 fornecidos por Dinamarca, Países Baixos e Noruega, além de aguardar aqueles prometidos pela Bélgica, somando-se ainda a um núcleo limitado de aeronaves multifunção Mirage 2000-5.
Como complemento direto à doação dos Gripen C/D, também merece destaque a transferência, pela Suécia, de aeronaves Saab 340 (designadas no país como S 100B Argus), que se colocam como a principal plataforma de alerta aéreo antecipado e controle em serviço na Força Aérea Ucraniana.
Armamentos e capacidades: IRIS-T, AMRAAM e MBDA Meteor
Outro ponto a considerar é a confirmação de que os Gripen já comprometidos serão entregues com mísseis ar-ar modernos IRIS-T, AMRAAM e MBDA Meteor. Este último, em particular, representa um salto qualitativo significativo para as capacidades de combate além do alcance visual (BVR) da Força Aérea Ucraniana, que atualmente tem o AIM-120C-8 entre seus principais mísseis nesse segmento.
Ainda assim, para além dos anúncios, o cronograma - com a entrega dos Gripen C/D a partir de 2027 e a projeção dos E/F em 2030 - colocará o caça produzido na linha da Saab diante do seu primeiro grande teste real em combate desde que entrou em serviço, há décadas.
O “batismo de fogo” do Saab JAS 39 Gripen e reflexos para Brasil e Colômbia
Hoje, uma das críticas mais recorrentes em diferentes programas de aquisição de caças ao redor do mundo nos quais o Gripen participou é a ausência de experiência de combate da plataforma. Entre os operadores atuais, apenas a Força Aérea Real Tailandesa empregou seus Gripen C/D em missões de ataque contra um oponente limitado e sem capacidade de resposta, como ocorreu no caso do Camboja.
Por isso, quando os primeiros Gripen ucranianos forem efetivamente empregados, o cenário será de outra ordem: trata-se de um adversário com capacidades substanciais, como a Rússia, tanto no que diz respeito a meios aéreos quanto nas áreas de defesa antiaérea, guerra eletrônica e alerta antecipado - uma situação comparável à enfrentada pelos F-16 e pelos Mirage 2000-5.
Além disso, vale lembrar que a concepção do Gripen deriva em grande medida da experiência acumulada pela Suécia durante a Guerra Fria, período no qual o país desenhou e produziu suas próprias aeronaves de combate sob uma doutrina particular de projeto e de emprego. Isso se traduziu na ideia de que, em um conflito de alta intensidade, os caças precisam operar em ambientes austeros, a partir de bases aéreas avançadas e descentralizadas, onde a velocidade de deslocamento e de preparação da aeronave é vital para a sua sobrevivência.
O desafio, portanto, não recairá apenas sobre a Ucrânia, mas também sobre a indústria de defesa sueca, que verá um de seus principais - talvez o mais importante - produtos de exportação ser testado em um conflito de alta intensidade. Trata-se, ao mesmo tempo, de um risco e de uma oportunidade: em primeiro lugar, garantir uma cadeia de suporte logístico e sustentação que funcione bem reforçará positivamente sua imagem internacional; em segundo, do ponto de vista operacional, as lições extraídas do emprego em combate certamente resultarão em melhorias e refinamentos no Gripen E/F que será fornecido a partir de 2030.
Por fim, trazendo o assunto para a América do Sul, o anúncio do envio de Gripen para a Ucrânia certamente será acompanhado de perto pelo Brasil, como principal operador da variante E, e também pela Colômbia, que confirmou a aquisição da aeronave para substituir seus envelhecidos caças Kfir de origem israelense.
Fotografias utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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