Toyota e Hyundai deixaram claro que não pretendem entrar na corrida por autonomias cada vez maiores em híbridos plug-in (PHEV), ao contrário do que vem acontecendo com outros fabricantes. Durante o Automotive News Europe Congress, em Turim, executivos das duas marcas apontaram o mesmo motivo central: o custo adicional de aumentar a capacidade das baterias.
Regras WLTP e a pressão por mais autonomia elétrica
Ao longo deste ano, a autonomia em modo elétrico dos novos híbridos plug-in lançados na União Europeia aumentou de forma ampla. Essa movimentação ganhou força com a atualização das regras europeias de certificação (WLTP) para PHEV, que passam a representar melhor o uso no mundo real - e, na prática, dobram os números de CO₂ divulgados anteriormente.
Para contornar esse efeito, a maior parte das montadoras decidiu equipar seus PHEV com baterias maiores. O resultado direto foi uma elevação das autonomias elétricas, o que ajuda a neutralizar o impacto das novas regras nos números oficiais. Esses PHEV mais recentes já vêm sendo avaliados com o novo procedimento desde janeiro. Já os modelos que estavam à venda antes terão de se adequar a partir de janeiro de 2026.
Toyota e Hyundai: foco em custo-benefício (e não em baterias gigantes)
Na visão da Toyota, colocar no curto prazo PHEV com mais de 100 km de autonomia elétrica não é o objetivo principal. Andrea Carlucci, responsável por produto e marketing da Toyota Europe, avalia que 100 km é um ponto de equilíbrio adequado entre custo e eficiência.
Hoje, a Toyota comercializa na Europa PHEV com alcance elétrico que vai de 66 km (C-HR) a 100 km (novo RAV4). Essa linha mais contida não impediu o avanço do segmento: as vendas de híbridos plug-in da marca no mercado europeu cresceram 139% nos primeiros quatro meses de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A Hyundai segue uma lógica parecida e prefere avançar com cautela. Xavier Martinet, diretor-executivo da Hyundai Europe, questiona até que ponto faz sentido elevar a complexidade e os custos extras de um conjunto que já combina dois motores, além de uma bateria de maior capacidade.
Marcas que já passaram de 100 km: Audi, Lynk & Co e Volvo
A discussão acontece ao mesmo tempo em que algumas marcas já apostam em PHEV com autonomias elétricas acima de 100 km. A Audi, por exemplo, mais do que dobrou o alcance elétrico do novo Q3 para 119 km - antes, ele não passava de 58 km.
O Lynk & Co 08, apresentado há poucos meses e com chegada prevista à Europa, consegue rodar 200 km em modo 100% elétrico, graças a uma bateria de quase 40 kWh. A Volvo, por sua vez, revelou para a China o XC70, que utiliza a mesma tecnologia da Lynk & Co e também anuncia 200 km de autonomia elétrica.
Híbridos plug-in são solução transitória
Mesmo com o crescimento dos híbridos plug-in na Europa - especialmente por ocuparem, nos segmentos superiores, o espaço que antes era muito associado aos motores a diesel - a tecnologia ainda é encarada como uma etapa de transição.
É o que defende Xavier Martinet, da Hyundai: “Híbridos plug-in (PHEV) e elétricos com extensor de autonomia (EREV) são tecnologias de transição, mas tentar fazê-los cada vez mais sofisticados, alongando a transição (para elétricos) torna-se complexo e caro. Onde é que nós paramos?”
Para o CEO da Hyundai Europe, as mudanças regulatórias - as regras devem mudar novamente em 2028 - e o avanço nas vendas de veículos 100% elétricos tendem a reduzir o apelo dos híbridos plug-in: “daqui a dois ou três anos será ainda menos interessante ter PHEV”, concluiu.
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